SEDE > Av. Nossa Senhora de Copacabana, 709 - 5º andar:
➢ QUARTAS-FEIRAS: ÀS 8h30m e ÀS 19h30m;
➢ SEXTAS-FEIRAS, ÀS 16h
NÚCLEO PAULO e ESTEVÃO > Rua Rodolfo Dantas, loja 97 (térreo) Copacabana (21 3208-5264)
Semana: de 29 de Junho a 5 de Julho de 2026
REUNIÃO VIRTUAL SEMANAL
ESTRÉIA
Dia 29 de Junho (segunda-feira), às 19h pelo canal do Lar de Tereza no YouTube

Expositor(a): ELISA HILLESHEIM
Integrante do LAR DE TEREZA (Copacabana, Rio de Janeiro/RJ)


Selai vossos lábios antes de proferirdes a palavra de acusação, pois não sabeis o que a vida vos reserva na continuidade dos dias que ainda tendes para viver.
A peça acusatória exige reflexão e defesa.
Nem sempre os gestos que julgamos merecerão tão fortes libelos, se viermos a conhecer o móvel que os inspirou; e, mesmo que fossem os mais terríveis ao olhar humano, lembremos que haverá sempre defesa na Misericórdia Divina, porquanto, apesar de Sua rigorosa justiça, Deus sabe que, acima de tudo, as almas são frágeis e ignorantes.
A ignorância é mais fácil de ser vencida, desde que existam corações piedosos que revelem a Verdade libertadora, deixando a cada uma livre vontade de libertar-se ou não.
Mas a fragilidade... Ah! A fragilidade da alma humana!
Esta é a mais difícil de ser vencida, porque não depende somente dos clarões da Verdade, mas do apoio compreensivo de outras almas, na construção dos alicerces da fé renovadora.
A Fé! Esta conquista que só realiza no cadinho do sofrimento, das lágrimas vertidas na solidão das noites insones, quando então a alma ergue os olhos para o Céu e diz:
Ó! Meu Pai! Onde estás? Socorre-me, Ó! Tu que criaste o Universo onde sou apenas uma migalha perdida em sua imensidão!
É, neste momento, então, que soa para a alma, o primeiro despertar da Fé, que lhe dará forças e abrirá à visão uma nova vida, com perspectivas claras de reajuste dentro da Lei.
Selai, pois, vossos lábios, antes de proferirdes a palavra de acusação! Examinai-vos primeiramente!
Se estais mais esclarecidos, desfraldai a bandeira luminosa da Verdade e que a vossa palavra seja a que liberta, e, se vos sentis fortes suficiente na fé que vos sustenta, impedindo-vos a novas quedas, estendei vossas mãos caridosas e soerguei os que, frágeis, só precisam de um pouquinho de amor para firmarem seus pés no caminho redentor.
Não julgueis!
Mais pesado será o julgamento dos Céus para aqueles que, conhecendo, tornam-se avarentos da Verdade, ou que, sendo fortes, tripudiam sobre os caídos.
Examinai-vos e, antes de acusardes, curvai reverente a vossa fronte e repeti as palavras de Francisco de Assis: Senhor, fazei que eu possa compreender, mais do que ser compreendido; amar, que ser amado!...
E sede, onde estiverdes, em nome do Senhor, um instrumento de Sua Alegria e de Sua Paz!
ANTONIO DE AQUINO
(“Evangelho e Vida” – Cap. 23, Espíritos diversos/Brunilde M. do Espírito Santo, LT)
Nasci em Pedro Leopoldo. Minas, em 1910. E até aqui, julgo que os meus atos perante a
sociedade da minha terra são expressões do pensamento de uma alma sincera e leal, que acima de tudo
ama a verdade; e creio mesmo que todos os que me conhecem podem dar testemunho da minha vida
repleta de árduas dificuldades e mesmo de sofrimentos. Filho de um lar muito pobre, órfão de mãe aos
cinco anos, tenho experimentado toda a classe de aborrecimentos na vida e não venho ao campo da
publicidade para fazer um nome, porque a dor há muito já me convenceu da inutilidade das bagatelas
que são ainda tão estimadas neste mundo. E, se decidi escrever estas modestas palavras no limiar deste
livro, é apenas com o intuito de elucidar o leitor, quanto à sua formação.
Começarei por dizer-lhe que sempre tive o mais pronunciado pendor para a literatura;
constantemente, a melhor boa vontade animou-me para o estudo. Mas, estudar como? Matriculando-me,
quando contava oito anos, num grupo escolar, pude chegar até ao fim do curso primário, estudando
apenas uma pequena parte do dia e trabalhando numa fábrica de tecidos, das quinze horas às duas da
manhã; cheguei quase a adoecer com um regime tão rigoroso; porém, essa situação modificou-se em
1923, quando então consegui um emprego no comércio, com um salário diminuto, onde o serviço dura
das sete às vinte horas, mas onde o trabalho é menos rude, prolongando-se esta minha situação até os
dias da atualidade.
Nunca pude aprender senão alguns rudimentos de aritmética, história e vernáculo, como o são as
lições das escolas primárias. É verdade que, em casa, sempre estudei o que pude, mas meu pai era
completamente avesso à minha vocação para as letras e muitas vezes tive o desprazer de ver os meus
livros e revistas queimados.
Jamais tive autores prediletos; aprazem-me todas as leituras e mesmo nunca pude estudar estilos
dos outros, por diferençar muito pouco essas questões. Também o meio em que tenho vivido foi sempre
árido, para mim, neste ponto. Os meus familiares não estimulavam, como verdadeiramente não podem,
os meus desejos de estudar, sempre a braços, como eu. com uma vida de múltiplos trabalhos e
obrigações e nunca se me ofereceu ocasião de conviver com os intelectuais da minha terra.
O meu ambiente, pois, foi sempre alheio à literatura; ambiente de pobreza, de desconforto, de
penosos deveres, sobrecarregado de trabalhos para angariar o pão cotidiano, onde se não pode pensar
em letras. Assim têm-se passado os dias sem que eu tenha podido, até hoje, realizar as minhas
esperanças.
Prosseguindo nas minhas explicações, devo esclarecer que minha família era católica e eu não
podia escapar aos sentimentos dos meus. Fui pois criado com as teorias da igreja, frequentando-a
mesmo com amor, desde os tempos de criança; quando ia às aulas de catecismo era para mim um
prazer.
Até 1927, todos nós não admitíamos outras verdades além das proclamadas pelo Catolicismo;
mas, eis que uma das minhas irmãs, em maio do ano referido, foi acometida de terrível obsessão; a
medicina foi impotente para conceder-lhe uma pequenina melhora, sequer. Vários dias consecutivos
foram, para nossa casa, pioras de amargos padecimentos morais. Foi quando decidimos solicitar o auxílio
de um distinto amigo, espírita convicto, o Sr. José Hermínio Perácio, que caridosamente se prontificou a
ajudar-nos com a sua boa vontade e o seu esforço. Verdadeiro discípulo do Evangelho, ofereceu-nos até
a sua residência. bem distante da nossa, tanto à sua família, onde então, num ambiente totalmente
modificado, poderia ela estudar as bases da doutrina espírita, orientando-se quanto aos seus deveres,
desenvolvendo, simultaneamente, as suas faculdades mediúnicas. Aí, sob os seus caridosos cuidados e
da sua excelentíssima esposa Dona Carmen Pena Perácio, médium dotada de raras faculdades, minha
irmã hauria, para nosso benefício, os ensinamentos sublimes da formosa doutrina dos mensageiros
divinos; foi nesse ambiente onde imperavam os sentimentos cristãos de dois corações profundamente
generosos, como o são os daqueles confrades a que me referi, que a minha mãe, que regressara ao Além
em 1915, deixando-nos mergulhados em imorredoura saudade, começou a ditar-nos os seus conselhos
salutares, por intermédio da esposa do nosso amigo, entrando em pormenores da nossa vida íntima, que
essa senhora desconhecia. Até a grafia era absolutamente igual à que a nossa genitora usava, quando na
Terra. Sobre esses fatos e essas provas irrefutáveis solidificamos a nossa fé, que se tornou inabalável.
Em breve minha irmã regressava ao nosso lar cheia de saúde e feliz, integrada no conhecimento
da luz que deveria daí por diante nortear os nossos passos na vida. Resolvemos, então, com ingentes
sacrifícios, reunir um núcleo de crentes para estudo e difusão da doutrina, e foi nessas reuniões que me
desenvolvi como médium escrevente, semimecânico, sentindo-me muito feliz por se me apresentar essa
oportunidade de progredir, datando daí o ingresso do meu humilde nome nos jornais espíritas, para onde
comecei a escrever sob a inspiração dos bondosos mentores espirituais que nos assistiam.
Daí a pouco, a nossa alegria aumentava, pois o nosso confrade José Hermínio Perácio, em
companhia de sua esposa, deliberou fixar residência junto a nós e as nossas reuniões tiveram resultados
controladas pela sua senhora, alma nobilíssima, ornada das mais superiores qualidades morais e que,
entre as suas mediunidades, conta com mais desenvolvimento a clariaudiência. Nossas reuniões
contavam, assim, grande número de assistentes, porém, a moral profunda que era ensinada, baseada
nas páginas esplendorosas do Evangelho de Jesus, parece que pesava muito, como acontece na opinião
de grande maioria de almas da nossa época, quase sempre inclinadas para as futilidades mundanas, e,
decorridos dois anos, os assistentes de nossas sessões de estudos escassearam, chegando ao número
de quatro ou cinco pessoas, o que perdura até hoje.
Não desanimamos, contudo, prosseguindo em nossas reuniões. constituindo para nós uma fonte
de consolações isolarmo-nos das coisas terrenas em nosso recanto de prece, para a comunhão com os
nossos desvelados amigos do Além. Continuei recebendo as idéias dos mesmos amigos de sempre, nas
reuniões, psicografando-as, e que eram continuamente fragmentos de prosa sobre os Evangelhos.
Somente duas vezes recebi comunicações em versos simples.
Em agosto, porém, do corrente ano, apesar de muito a contragosto de minha parte, porque
jamais nutri a pretensão de entrar em contacto com essas entidades elevadas, por conhecer as minhas
imperfeições, comecei a receber a série de poesias que aqui vão publicadas, assinadas por nomes
respeitáveis.
Serão das personalidades que as assinam? – é o que não posso afiançar, O que posso afirmar,
categoricamente, é que, em consciência, não posso dizer que são minhas, porque não despendi nenhum
esforço intelectual ao grafá-las no papel. A sensação que sempre senti, ao escrevê-las, era a de que
vigorosa mão impulsionava a minha. Doutras vezes, parecia-me ter em frente um volume imaterial,
onde eu as lia e copiava; e, doutras, que alguém mas ditava aos ouvidos, experimentando sempre no
braço, ao psicografá-las, a sensação de fluidos elétricos que o envolvessem, acontecendo o mesmo com
o cérebro, que se me afigurava invadido por incalculável número de vibrações indefiníveis. Certas vezes,
esse estado atingia o auge, e o interessante é que me parecia haver ficado sem o corpo, não sentindo,
por momentos, as menores impressões físicas; é o que experimento, fisicamente, quanto ao fenômeno
que se produz frequentemente comigo.
Julgo do meu dever declarar que nunca evoquei quem quer que fosse; essas produções
chegaram-me sempre espontaneamente, sem que eu ou meus companheiros de trabalhos as
provocássemos e jamais se pronunciou, em particular, o nome de qualquer dos comunicantes, em
nossas preces. Passavam-se às vezes mais de dez dias, sem que se produzisse escrito algum, e dia
houve em que se receberam mais de três produções literárias de uma só vez.
Grande parte delas foram escritas fora das reuniões e tenho tido ocasião de observar que, quanto
menor o número de assistentes, melhor o resultado obtido.
Muitas vezes, ao recebermos uma destas páginas, era necessário recorrermos a dicionários, para
sabermos os respectivos sinônimos das palavras nela empregadas, porque tanto eu como os meus
companheiros as desconhecíamos em nossa ignorância, julgando minha obrigação, frisar aqui também,
que, apesar de todo o meu bom desejo, jamais obtive outra coisa, na fenomenologia espírita, a não ser
esses escritos. (1)
Devo salientar o precioso concurso da bondosa médium Sra. Cármen P. Perácio, que através da
sua maravilhosa clariaudiência me auxiliou muitíssimo, transmitindo-me as advertências e opiniões dos
nossos caros mentores espirituais e, ainda, o carinhoso interesse do distinto confrade Sr. M. Quintão,
que tem sido de uma boa vontade admirável para comigo, não poupando esforços para que este
despretensioso volume viesse à luz da publicidade.
E aqui termino.
Terei feito compreender, a quem me lê, a verdade como de fato ela é? Creio que não. Em alguns
despertarei sentimentos de piedade e, noutros, risinhos ridiculizadores. Há de haver, porém, alguém
que encontre consolação nestas páginas humildes. Um desses que haja, entre mil dos primeiros, e dou-
me por compensado do meu trabalho.
A todos eles, todavia, os meus saudares, com os meus agradecimentos intraduzíveis aos
boníssimos mentores do Além, que inspiraram esta obra, que generosamente se dignaram não reparar
as minhas incontáveis imperfeições, transmitindo, por intermédio de instrumento tão mesquinho, os
seus salutares ensinamentos.
Pedro Leopoldo, dezembro de 1931.
Francisco Cândido Xavier
1. Ao escrever estas palavras, o Autor não se lembrou de que as suas relações constantes com Espíritos
desencarnados, mantidas desde os 5 anos de idade, pertencem igualmente à fenomenologia espírita.
Pensou em fenomenologia somente como prática consciente da mediunidade nas sessões espíritas; mas
todas as pessoas de sua intimidade sabem que ele, desde a infância. confunde os habitantes dos dois
mundos e muitas vezes pergunta ao amigo que esteja passeando com ele “Estás vendo ali um homem de
barbas brancas, etc.?” Pela resposta do companheiro é que ele fica sabendo se está, diante de um habitante
do nosso mundo ou de habitante do mundo espiritual. Também isso são fenômenos espíritas.
(Nota da Editora)
OBS: Para consultar a programação do mês, completa, acesse o NRI: Novos Rumos Informativo, clicando aqui.